domingo, 29 de março de 2009

Coisas Simples'



Em uma manha cinzenta de um dia qualquer eu caminhava rumo à padaria quando um
jovem mímico me parou oferecendo uma única flor um tanto quanto desbotada.
Recusei e continuei andando, confesso que nos primeiros passos não dei a mínima importância para aquela flor ou para o garoto, mas ao me aproximar da padaria um grande arrependimento tomou conta de mim.
"Deixa disso, você não tem tempo para perder com essas bobagens. ’’
Entrei na padaria e comprei o que precisava, ao sair vejo de longe um casal de adolescentes que foram parados pelo mímico da mesma forma que eu.
Fiquei observando a reação daquele adolescente que, diferente de mim, recebeu a tão desbotada flor de outrora e após dar um beijo naquele misero símbolo o entregou a sua namorada que com os olhos cheio de lagrimas o agradeceu com um longo abraço.
‘’Hum... Crianças’’
Tentei não dar importância para aquela cena durante o dia só que não consegui tirar a flor, o mímico e o casal um momento se quer de meu pensamento.
Não entendia o real sentido daquilo tudo então resolvi voltar a praça onde se encontrava o mímico ao entardecer e o revi com uma flor na mão, percebi que ele sorriu ao me ver e estendendo a flor em minha direção. Fui até ele e apanhei a flor e de imediato um grande alivio invadiu minha alma, mas não compreendia o significado daquilo tudo.
No dia seguinte retornei a praça aonde aquele jovem garoto se encontrava e fiquei a observar-lo de longe e vi muitas pessoas fazerem o mesmo que eu fiz.
Ao entardecer eu entendi o significado daquela simples flor e a missão daquele jovem mímico. Pude perceber que os valores de minha vida eram tão óbvios que ela já tinha perdido o sentido.
A partir daquele dia passei a dar valor às coisas simples da vida, antes que minha vida perdesse seu valor.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ladeira'


"A lavadeira do rio, muito lençol pra lavar 
Fica faltando uma saia quando o sabão se acabar 
Mas corra pra beira da praia, veja a espuma brilhar 
Ouça o barulho bravio das ondas que batem na beira do mar 
Ouça o barulho bravio das ondas que batem na beira do mar 
O vento soprou, a folha caiu, cadê meu amor"
                                                                                   
(Maria Rita)

O dia estava quente, era janeiro e o temporal acabara de passar, as lavadeiras com suas saias de renda e sandálias de couro desciam a ladeira que dava num riacho ao final da rua. Elas entoavam o canto dos deuses enquanto em sincronia, rodavam e riam. As pessoas debruçavam na sacada de suas casas antigas observavam o bailado das moças com as bandejas de roupa na cabeça.
O sol ardido de pós chuva esquentava o paralelepípedo impedindo que os pássaros permanecesse na superfície úmida das pedras acinzentadas, obrigando-os a sobrevoar as mulheres que felizes, contagiava a todos os que passavam por aquela viela. Dando ao humilde rodopiar um cenário digno de um quadro.
A água que escorria pelas valetas da ladeira desembocava no rio, misturando-se a água límpida e se dirigindo ao mar, deslizando no ritmo do bater das roupas nas pedras.
O movimento da viela aumentava quando se ouvia o assobio das baianas virando a esquina e o que era parado e sem vida se enchia de cor e fé no balanço dos passos ensaiados das mulheres, que transbordavam força e esperança em cada rodopio de saia.


'Espero que gostem!

Comentem!
Obrigado,
Rodrigo.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Doce Sedução'


“Aquele gosto amargo do teu corpo ficou na minha boca por mais tempo. De amargo então, salgado ficou doce. Assim que o teu cheiro forte e lento fez casa nos meus braços
e ainda leve e forte, cego e tenso fez saber que ainda era muito
e muito pouco. Faço nosso meu segredo mais sincero e desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro e o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo não faz da minha força confusão”

(Legião Urbana)

O lugar tinha uma iluminação baixa e agitada sobre a pista de dança dando ao ambiente um forte teor de luxuria que exalava por todos os poros.


Num piscar de claridade a luz refletiu seu copo. Suas mãos claras com unhas vermelhas sustentavam o liquido dentro da taça. Dirigiu o conteúdo até seus lábios cheios e convidativos, sorvendo o álcool perigosamente, atraindo meus sentidos para seu corpo.


A musica embalava o suor de seu colo decotado me tragando para o meio da pista ao seu lado.

O pudor ficara junto com meu copo de whisky vazio no balcão me empurrando para o abismo do prazer. Meus músculos se contraiam, à medida que sua pele tocava na minha, arrepiando toda e qualquer superfície de meu corpo.


Sua costa fria em contraste ao meu peito em chamas fazia todo o lugar incendiar de desejo e paixão. Seu quadril travava uma luta excitante contra o meu no ritmo de uma dança sensual. Fatal.

Sem outro som alem dos gemidos, o desejo e a libido dominavam meu ser sem me permitir sentir a dor aguda de suas unhas vermelhas em meu ombro e diminuir as ondas elétricas que partiam de seu corpo e terminavam no meu.


Seu suor era inebriante, o calor dominava nossos instintos, controlando nossos corpos que se digladiavam um contra o outro em movimentos lentos e prazerosos. Seu gosto me embebedava, viciando. Ela exalava puramente a excitação. Eu estava entregue a seu corpo pouco coberto com um tecido leve e macio, rubro como o sangue, que transpirava seu mais intimo desejo.

Eu a teria possuído ali, no meio do salão se todos os rápidos holofotes não fossem direcionados para nosso show particular de erotismo.


Seus dedos curtos e provocantes seguraram meu colarinho levando-me ao êxtase de sua companhia fora daquele ambiente que já tinha o odor do sexo.

Ela me grudou a nuca me causando sensações indescritíveis, trazendo para si todo e qualquer parte de meu corpo que lhe desejasse.


Ela me consumia em doses grandes e com volúpia. Um viciado com uma única dose de seu combustível ilegal favorito. Chegando ao êxtase pude sentir todo meu ser se esvair por aquela mulher sedutora, eu seria dela em qualquer noite que ela assim quisesse.

Ela me absorveu em seu ser interminavelmente por aquela noite inteira me levanto a inerência de prazer.


Meu corpo só reagiria ao seu toque e o de mais nenhuma outra. Eu era sua satisfação enquanto ela me tornava mais um viciado em seu prazer incessante. E eu desejara isso para toda minha eternidade se assim soubesse ao menos o seu nome. A noite acabara com a mesma ansiedade que se iniciou naquele salão em que meu corpo a conduziu ao delírio do sexo.


Eu a desejava mais e mais, tornando nosso toque interminável. Eu a queria mais e mais sem me cansar de seu cheiro que despertava em mim os mais primitivos desejos de prazer.


Estavamos cansados e suávamos muito, era aquele o auge de nossa noite de luxuria e prazer, ela me queria mais que o ar que puxávamos para nosso pulmão e eu a desejava demasiadamente. Enfim, satisfeitos e saciados ela se foi com o mesmo olhar provocante e sedutor.

'Espero que gostem.