
Em uma manha cinzenta de um dia qualquer eu caminhava rumo à padaria quando um
jovem mímico me parou oferecendo uma única flor um tanto quanto desbotada.
Recusei e continuei andando, confesso que nos primeiros passos não dei a mínima importância para aquela flor ou para o garoto, mas ao me aproximar da padaria um grande arrependimento tomou conta de mim.
"Deixa disso, você não tem tempo para perder com essas bobagens. ’’
Entrei na padaria e comprei o que precisava, ao sair vejo de longe um casal de adolescentes que foram parados pelo mímico da mesma forma que eu.
Fiquei observando a reação daquele adolescente que, diferente de mim, recebeu a tão desbotada flor de outrora e após dar um beijo naquele misero símbolo o entregou a sua namorada que com os olhos cheio de lagrimas o agradeceu com um longo abraço.
‘’Hum... Crianças’’
Tentei não dar importância para aquela cena durante o dia só que não consegui tirar a flor, o mímico e o casal um momento se quer de meu pensamento.
Não entendia o real sentido daquilo tudo então resolvi voltar a praça onde se encontrava o mímico ao entardecer e o revi com uma flor na mão, percebi que ele sorriu ao me ver e estendendo a flor em minha direção. Fui até ele e apanhei a flor e de imediato um grande alivio invadiu minha alma, mas não compreendia o significado daquilo tudo.
No dia seguinte retornei a praça aonde aquele jovem garoto se encontrava e fiquei a observar-lo de longe e vi muitas pessoas fazerem o mesmo que eu fiz.
Ao entardecer eu entendi o significado daquela simples flor e a missão daquele jovem mímico. Pude perceber que os valores de minha vida eram tão óbvios que ela já tinha perdido o sentido.
A partir daquele dia passei a dar valor às coisas simples da vida, antes que minha vida perdesse seu valor.

