quarta-feira, 11 de março de 2009

Ladeira'


"A lavadeira do rio, muito lençol pra lavar 
Fica faltando uma saia quando o sabão se acabar 
Mas corra pra beira da praia, veja a espuma brilhar 
Ouça o barulho bravio das ondas que batem na beira do mar 
Ouça o barulho bravio das ondas que batem na beira do mar 
O vento soprou, a folha caiu, cadê meu amor"
                                                                                   
(Maria Rita)

O dia estava quente, era janeiro e o temporal acabara de passar, as lavadeiras com suas saias de renda e sandálias de couro desciam a ladeira que dava num riacho ao final da rua. Elas entoavam o canto dos deuses enquanto em sincronia, rodavam e riam. As pessoas debruçavam na sacada de suas casas antigas observavam o bailado das moças com as bandejas de roupa na cabeça.
O sol ardido de pós chuva esquentava o paralelepípedo impedindo que os pássaros permanecesse na superfície úmida das pedras acinzentadas, obrigando-os a sobrevoar as mulheres que felizes, contagiava a todos os que passavam por aquela viela. Dando ao humilde rodopiar um cenário digno de um quadro.
A água que escorria pelas valetas da ladeira desembocava no rio, misturando-se a água límpida e se dirigindo ao mar, deslizando no ritmo do bater das roupas nas pedras.
O movimento da viela aumentava quando se ouvia o assobio das baianas virando a esquina e o que era parado e sem vida se enchia de cor e fé no balanço dos passos ensaiados das mulheres, que transbordavam força e esperança em cada rodopio de saia.


'Espero que gostem!

Comentem!
Obrigado,
Rodrigo.

Um comentário:

  1. Eu amo essa musica!
    Conheço pela Elba Ramalho!
    Muito LINDO ESSE TEXTO!!!

    ResponderExcluir