sábado, 19 de setembro de 2009

O Observador

O vento uivava nos vidros úmidos da biblioteca escurecida. A luz amarelada estava focalizada na mesa plana de mogno escuro envelhecido pelo tempo. Os dedos pálidos tremulavam enquanto a mão delicada e enrugada deslizava sobre o papel branco. As letras surgindo como desenhos meticulosamente traçados.

Os livros empoeirados jaziam nas prateleiras cuidadosamente organizadas. As lombadas coloridas eram as únicas testemunhas das noites em que Barbara permanecera naquela mesma poltrona castanha mergulhada em fantasias. Mas hoje ela estava ali para uma missão diferente. Não mais para passar os olhos prateados nos versos bem estruturados de um romance qualquer que repousasse sobre seu vestido acetinado. E sim, começar seu próprio romance. Estruturar seus próprios versos, contar sua própria historia.

Os óculos redondos que repousavam no nariz afilado auxiliavam sua visão cansada. A mente, tão cansada quanto, trabalhava lentamente enquanto sua mão forçava-se a continuar. Letra após letra. Frase após frase. As lembranças rodopiavam como a garoa fraca que rebatia na janela.

Os minutos se arrastavam junto com o ponteiro que se escondia na penumbra do cômodo. Sua respiração era tranqüila enquanto seus dedos trabalhavam em sincronia com sua mente. Às vezes, ela pausava a caneta apoiando-a em seu queixo pequeno enquanto seus olhos se perdiam em meio ao passado. Um sorriso. Uma lagrima. E ela continuava a escrever.

Após um suspiro cansado, as ultimas linhas chegavam ao seu final. Um sorriso satisfeito rasgava sua face. As palavras saíram firmes e certeiras de seus lábios rachados, enquanto ela se despedia em voz alta daquele que a manteve viva por toda uma vida.

Eu ainda sinto seus olhos em minha nuca, mesmo você não estando mais presente. Ou talvez esteja. Esse sempre fora seu mistério. Sua presença. Seu olhar. Sua vigilância. Espero que aceite meu pedido para levar à outras pessoas essa historia. Essa proteção.

Com todo carinho de sua observada.

Barbara Kavangh.”

Suspirou contente enquanto desfazia o coque no alto de sua cabeça, e deixava os cachos dourados lhe caírem sobre os ombros. Os fios ainda úmidos do banho se misturando com os grisalhos que ela não lutara para esconder. O chá morno descendo por sua garganta enquanto ela sentia borbulhar de animação o corpo e a alma. O couro abraçando suas costas frágeis enquanto ela pontuava todos os momentos de sua vida até ali sob o olhar vigilante dele.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Pedido de Atenção

De pés descalços e camiseta esfarrapada, eu podia vê-lo através do vidro blindado de meu carro importado.

Com uma camada visível de sujeira sobre a pele frágil, ele brincava com o três bastões no ar em minha frente, em troca de algumas moedas, que se muito, talvez lhe trouxesse algum alimento para o estomago faminto.

O sorriso quebradiço em seu rosto mostrava uma delicada felicidade infantil destruída dia após dia naquele sinal de avenida.

Os bastões que eram lançados habilidosamente no ar demonstravam o quão leve a alma dele poderia ficar, caso um sorriso caloroso o envolvesse em um abraço terno.

Seus olhos negros, impossíveis de se esquecer, fitavam minha face impaciente enquanto aguardava o movimento da avenida voltar a circular.

Com um toque receoso na minha janela, aquela criança me implorava por atenção, alem dos trocados que suas mãos esticadas, esperava.

-Por favor... – sua voz tremula soou baixa antes de eu arrancar com o carro avenida a fora.

'Espero que gostem!

Muito obrigado,
Comentem!
Rodrigo.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Fotografias


Lembranças. Passado. O que é isso afinal? Magoas, alegrias, pessoas. Um punhado de memórias que nos chacoalham, lembrando de onde viemos, para que assim possamos prosseguir.
Na maioria das vezes, um simples resfolegar de imagens, ou o delicado aroma de situações pisoteadas pelo impiedoso tempo.
Sentimentos, sonhos. Todos esses sepultados pelo correr das horas, dias.
Vínculos cortados, ramos ressecados e por fim, a saudade. A latejante nostalgia que nos martela o peito, nos embarga a voz. Embaça-nos os olhos e nos faz olhar para trás, sentindo pelo afeto não demonstrado ou pela palavra não dita.
O mergulho em nossa própria alma juvenil. O conhecimento de um tempo não retornará...




Espero que gostem!
Comentem,
Rodrigo.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

'in your arms


O sol que já se punha batia em meu rosto enquanto caminhava para dentro da praça asfaltada rodeada por arbustos amarelados. O vento que soprava por meio as arvores que cercavam o local bagunçava os cabelos que insistiam em me cair sobre a face.
Os fones no ouvido traziam ao meu corpo a melodia suave de um jazz, dando a cena de alguns pombos voando um efeito inimaginável. A mochila vermelha nas costas começava a pesar depois de tanto tempo de viagem. O casaco de moletom caia sobre os ombros mostrando a camiseta fina de tom branco que vestia. O chão acinzentado refletia a intensa e quente luz do sol de fim de tarde em meus olhos. Minha mente se perdia em cada detalhe daquele novo lugar.
Em um banco a minha esquerda, um casal trocava caricias enquanto outras passavam ao meu lado correndo de forma ritmada. Meu peito ansiava por algo, alguém que eu esperei por tempos. A ansiedade corroia cada veia de meu corpo e eu podia sentir minha garganta seca. Meus olhos procuravam ávidos por ela em cada parte da praça, em cada rosto do lugar e em cada célula de meu corpo.
A brisa soprou novamente trazendo um aroma diferente até minhas narinas. Doce e delicado, aquela essência entrou por meu corpo fazendo meus braços arrepiarem. Fechei meus olhos por um instante, parando no meio daquela praça sob a sombra da alta torre da igreja logo em frente.
Novamente aspirei o ar para dentro de meus pulmões sentindo a fragrância daquele perfume. Minha visão escurecida permitia que o resto de meu corpo ficasse alerta e sensível.
Com lentidão, retirei os fones do ouvido e pude ouvir cada som do lugar. As folhas das arvores assobiaram com a dança do vento enquanto os pássaros batiam asas de um galho para outro. Algumas pessoas conversavam enquanto olhavam a paisagem e outras apenas emitiam sons inteligíveis para passar o tempo. Um riso caloroso se fez ouvir por trás de mim.
Meu olfato identificava cada diferente aroma que o lugar oferecia. O cheiro da terra que sustentava flores em um canto da praça estava presente no ar enquanto aquele mesmo perfume rodeava meus pensamentos.
Por fim, abri meus olhos e constatei tudo que meus outros sentidos me indicaram. Rodei sobre meus pés, me virando para o outro lado da praça para me deparar com o que meu coração sempre esperou.
Ela trazia um sorriso bobo nos lábios enquanto suas mãos estavam apoiadas na cintura. Tão pequena e frágil. Seus olhos verdes eram intensos e miravam minha face certamente abobalhada. Aquele simples minuto pareceu uma eternidade desesperadora para mim. Enquanto meus olhos corriam por ela, eu ouvia meu peito gritar. Sem raciocinar muito, soltei a mochila que incomodava meu ombro e impulsionei meu corpo para frente, em sua direção. Seu sorriso se expandiu e agora ela estava com os braços abertos.
Nossos corpos se chocaram poucos segundos depois e eu pude aspirar o perfume que me penetrara o organismo alguns instantes anteriores. Seu pescoço exposto pelos cabelos curtos e castanhos era a fonte do aroma que me inebriava.
Seus braços pequenos estavam apertados no meu pescoço enquanto seus pés balançavam no ar. Ela estava envolvida em um abraço apertado enquanto nossos corpos rodavam e ela gargalhava.
Suas bochechas quentes contra a minha pele deletava sua face corada. Meu coração acelerou dentro do peito ao afastar um pouco nossos corpos e me deparar com os círculos de cor púrpura que formou nas maças delineadas de seu rosto fino.
Nossos rostos estavam próximos e eu podia sentir sua respiração mesclar com a minha. Sua boca semi-aberta era convidativa demais. Toquei-lhe os lábios suavemente, experimentando a maciez. Nossos corpos inspiravam ofegantes o ar para os pulmões. Ela sorriu entre os beijos e disse que me esperava.
Eu sorri e coloquei uma mexa de seu cabelo liso para trás da orelha, colando novamente nossos lábios e puxando seu corpo novamente rente ao meu. Ela estremeceu em meus braços, respondendo as caricias de minha boca.
Retirei seus pés novamente do chão, e gargalhando a rodei outra vez no ar apertando-a em meus braços.
'Espero que gostem.
Comentem!
Obrigado,
Rodrigo.

terça-feira, 12 de maio de 2009

'brisa do mar


Apesar dos meus olhos estarem pesados, eu podia ver o céu estrelado se mesclar com o azul royal da água do mar que refletia a luz prateada da imensa lua que brilhava cheia no alto.
A brisa fria que soprava, junto com as ondas negras e salgadas, refrescava meu rosto. Minha cabeça que repousava sobre a areia fofa estava perdida em pensamentos enquanto meus olhos fitavam o horizonte que se confundia com a tênue linha do oceano gélido.
Alheio as palmeiras que balançavam no ritmo do vento na orla deserta e intocável, podia sentir atentamente apenas ao toque quente e delicado em meu peito.
Seu perfume adocicado invadia minhas narinas me fazendo estremecer. Sua pele alva e macia estava em contato direto com meu corpo quente.
Os olhos cor de esmeralda estavam fixos em meu rosto. Tão intensos, expressivos e cheios de sentimentos olhos. Eu estava deslumbrado com a beleza daqueles lábios cheios e avermelhados. O nariz afilado que completava a fisionomia infantil roçava gentilmente na linha de meu maxilar.
Seus cabelos castanhos na altura do pescoço deixariam seus ombros tentadoramente expostos se não fosse pela fina camisa azulada que aquecia meu corpo outrora, agora cobria seus delicados contornos.
-Um doce por seus pensamentos. – sua voz melódica soou próximo ao meu ouvido.
Meus pensamentos que até então estavam confusos, se esvaíram completamente com a proximidade de sua respiração suave em minha nuca, provocando-me arrepios pela coluna.
Um sorriso largo brincou em meus lábios ressecados antes de me entregar novamente a suavidade e maciez de sua boca rosada.
'Espero que gostem
.
Tirando um pouco da poeira e das teias de aranha daqui! rsrsrs
Comentem.
Obrigado,
Rodrigo Reis.

domingo, 29 de março de 2009

Coisas Simples'



Em uma manha cinzenta de um dia qualquer eu caminhava rumo à padaria quando um
jovem mímico me parou oferecendo uma única flor um tanto quanto desbotada.
Recusei e continuei andando, confesso que nos primeiros passos não dei a mínima importância para aquela flor ou para o garoto, mas ao me aproximar da padaria um grande arrependimento tomou conta de mim.
"Deixa disso, você não tem tempo para perder com essas bobagens. ’’
Entrei na padaria e comprei o que precisava, ao sair vejo de longe um casal de adolescentes que foram parados pelo mímico da mesma forma que eu.
Fiquei observando a reação daquele adolescente que, diferente de mim, recebeu a tão desbotada flor de outrora e após dar um beijo naquele misero símbolo o entregou a sua namorada que com os olhos cheio de lagrimas o agradeceu com um longo abraço.
‘’Hum... Crianças’’
Tentei não dar importância para aquela cena durante o dia só que não consegui tirar a flor, o mímico e o casal um momento se quer de meu pensamento.
Não entendia o real sentido daquilo tudo então resolvi voltar a praça onde se encontrava o mímico ao entardecer e o revi com uma flor na mão, percebi que ele sorriu ao me ver e estendendo a flor em minha direção. Fui até ele e apanhei a flor e de imediato um grande alivio invadiu minha alma, mas não compreendia o significado daquilo tudo.
No dia seguinte retornei a praça aonde aquele jovem garoto se encontrava e fiquei a observar-lo de longe e vi muitas pessoas fazerem o mesmo que eu fiz.
Ao entardecer eu entendi o significado daquela simples flor e a missão daquele jovem mímico. Pude perceber que os valores de minha vida eram tão óbvios que ela já tinha perdido o sentido.
A partir daquele dia passei a dar valor às coisas simples da vida, antes que minha vida perdesse seu valor.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ladeira'


"A lavadeira do rio, muito lençol pra lavar 
Fica faltando uma saia quando o sabão se acabar 
Mas corra pra beira da praia, veja a espuma brilhar 
Ouça o barulho bravio das ondas que batem na beira do mar 
Ouça o barulho bravio das ondas que batem na beira do mar 
O vento soprou, a folha caiu, cadê meu amor"
                                                                                   
(Maria Rita)

O dia estava quente, era janeiro e o temporal acabara de passar, as lavadeiras com suas saias de renda e sandálias de couro desciam a ladeira que dava num riacho ao final da rua. Elas entoavam o canto dos deuses enquanto em sincronia, rodavam e riam. As pessoas debruçavam na sacada de suas casas antigas observavam o bailado das moças com as bandejas de roupa na cabeça.
O sol ardido de pós chuva esquentava o paralelepípedo impedindo que os pássaros permanecesse na superfície úmida das pedras acinzentadas, obrigando-os a sobrevoar as mulheres que felizes, contagiava a todos os que passavam por aquela viela. Dando ao humilde rodopiar um cenário digno de um quadro.
A água que escorria pelas valetas da ladeira desembocava no rio, misturando-se a água límpida e se dirigindo ao mar, deslizando no ritmo do bater das roupas nas pedras.
O movimento da viela aumentava quando se ouvia o assobio das baianas virando a esquina e o que era parado e sem vida se enchia de cor e fé no balanço dos passos ensaiados das mulheres, que transbordavam força e esperança em cada rodopio de saia.


'Espero que gostem!

Comentem!
Obrigado,
Rodrigo.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Doce Sedução'


“Aquele gosto amargo do teu corpo ficou na minha boca por mais tempo. De amargo então, salgado ficou doce. Assim que o teu cheiro forte e lento fez casa nos meus braços
e ainda leve e forte, cego e tenso fez saber que ainda era muito
e muito pouco. Faço nosso meu segredo mais sincero e desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro e o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo não faz da minha força confusão”

(Legião Urbana)

O lugar tinha uma iluminação baixa e agitada sobre a pista de dança dando ao ambiente um forte teor de luxuria que exalava por todos os poros.


Num piscar de claridade a luz refletiu seu copo. Suas mãos claras com unhas vermelhas sustentavam o liquido dentro da taça. Dirigiu o conteúdo até seus lábios cheios e convidativos, sorvendo o álcool perigosamente, atraindo meus sentidos para seu corpo.


A musica embalava o suor de seu colo decotado me tragando para o meio da pista ao seu lado.

O pudor ficara junto com meu copo de whisky vazio no balcão me empurrando para o abismo do prazer. Meus músculos se contraiam, à medida que sua pele tocava na minha, arrepiando toda e qualquer superfície de meu corpo.


Sua costa fria em contraste ao meu peito em chamas fazia todo o lugar incendiar de desejo e paixão. Seu quadril travava uma luta excitante contra o meu no ritmo de uma dança sensual. Fatal.

Sem outro som alem dos gemidos, o desejo e a libido dominavam meu ser sem me permitir sentir a dor aguda de suas unhas vermelhas em meu ombro e diminuir as ondas elétricas que partiam de seu corpo e terminavam no meu.


Seu suor era inebriante, o calor dominava nossos instintos, controlando nossos corpos que se digladiavam um contra o outro em movimentos lentos e prazerosos. Seu gosto me embebedava, viciando. Ela exalava puramente a excitação. Eu estava entregue a seu corpo pouco coberto com um tecido leve e macio, rubro como o sangue, que transpirava seu mais intimo desejo.

Eu a teria possuído ali, no meio do salão se todos os rápidos holofotes não fossem direcionados para nosso show particular de erotismo.


Seus dedos curtos e provocantes seguraram meu colarinho levando-me ao êxtase de sua companhia fora daquele ambiente que já tinha o odor do sexo.

Ela me grudou a nuca me causando sensações indescritíveis, trazendo para si todo e qualquer parte de meu corpo que lhe desejasse.


Ela me consumia em doses grandes e com volúpia. Um viciado com uma única dose de seu combustível ilegal favorito. Chegando ao êxtase pude sentir todo meu ser se esvair por aquela mulher sedutora, eu seria dela em qualquer noite que ela assim quisesse.

Ela me absorveu em seu ser interminavelmente por aquela noite inteira me levanto a inerência de prazer.


Meu corpo só reagiria ao seu toque e o de mais nenhuma outra. Eu era sua satisfação enquanto ela me tornava mais um viciado em seu prazer incessante. E eu desejara isso para toda minha eternidade se assim soubesse ao menos o seu nome. A noite acabara com a mesma ansiedade que se iniciou naquele salão em que meu corpo a conduziu ao delírio do sexo.


Eu a desejava mais e mais, tornando nosso toque interminável. Eu a queria mais e mais sem me cansar de seu cheiro que despertava em mim os mais primitivos desejos de prazer.


Estavamos cansados e suávamos muito, era aquele o auge de nossa noite de luxuria e prazer, ela me queria mais que o ar que puxávamos para nosso pulmão e eu a desejava demasiadamente. Enfim, satisfeitos e saciados ela se foi com o mesmo olhar provocante e sedutor.

'Espero que gostem.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Enquete'

Meus queridos...
Eu estou participando de uma comunidade no orkut, sobre FanFics do Twilight [traduzindo: FanFic: Historias criadas por fãs; Twilight: Filme/Serie de 4 livros inspiradas no amor entre um vampiro 'vegetariano' e uma adolescente.]

E o negocio é o seguinte....
Eu resolvi começar a escrever uma Fic, então gostaria de saber se eu deveria posta-la aqui no blog tambem.
Entao...se puderem responder a enquente que ficara ali no lado
;D

Comentem!
Obrigado,
Rodrigo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Tranquilidade'

"Há uma alma em mim... Há uma calma que não condiz... Com a nossa pressa! Com resto que nos resta... Lamentavelmente eu sou assim... Um tanto disperso... Às vezes desapareço... Pois depois recomeço... Mas antes me esqueço..." (O Teatro Mágico)

Às vezes, mergulhado a uma tranqüilidade agonizante, me sinto como uma folha que flutua sobre um mar agitado ou como um pássaro que plana num céu tempestuoso.
Em meio a tiros e gritos, eu caminho rumo à inerência. Rumo a um sossego indestrutivel.
Eu sigo as pedras sem ver o que deixo para trás. Todas as mortes, todas as lagrimas. Nada me trará de volta a realidade.
Alheio ao resto eu continuo preso em mim mesmo. Em meus pensamentos. Nada chega a mim. Nem mesmo a felicidade.
Eu me sinto leve, mas com pesos presos aos meus pés. Eu vejo a mim. Eu vejo a você.
- O que acontece com você? Está tão estranha, tão distante...
Eu sigo em minha cápsula sem entender o que vejo ao meu redor. Sem poder voltar. O que eles dizem? O que eles fazem? - Não importa! - diz a voz em minha mente.
E assim eu continuo, sempre em frente. Passam cidades, pessoas, lugares, dores, sofrimento e nada disso me afeta, nada me desarmoniza. Eu me protejo na tranqüilidade estonteante. –Isso ta errado! –
Eu caminho sobre a morte, sobre o sofrimento e nada disso toca minha face. Como? Eu flutuo sobre abismos intermináveis e me mantenho sobre águas revoltas. E isso não me abala. Por quê?
Como em uma bolha, eu sigo o vento. Sem destino ou direção, eu vago entre as famílias desesperadas, entre os corpos ao chão. As lagrimas não rolam meu rosto, elas estão tão presas quanto eu.
Eu vejo a desgraça atravessar meu caminho e não consigo desviar o olhar. Hipnotizado eu a sigo sem hesitar. Ela permanece majestosa sobre o pranto. E eu sinto o sofrimento que não é meu… a tranqüilidade inabalável, inatingível finalmente perde sua força pouco a pouco, me tornando vulnerável a toda dor, a todo o pranto. Os abismos em que passava antes sem sequer temer, agora se abrem em meus pés, me tragando para baixo. Puxado para a escuridão escuto sons inaudíveis antes de dentro de minha bolha. Gemidos, grunhidos, tiros e sofrimento.
Do fundo de um poço sem saída, sinto o calor em minha face. O vento em meus cabelos. O sol em minhas pálpebras. Abro meus olhos e vejo que a praça continuava a mesma, as pessoas continuavam a rir e conversar. Os pássaros cantavam na árvore acima de minha cabeça. De fato, aquela realidade não me pertencia, a dor, o pranto, a desgraça, as lagrimas. Nada daquilo parecia real ali, naquele jardim. E toda aquela tranqüilidade impenetrável de outrora não se passava da falta de consciência. De um sonho.
'Espero que gostem!
Comentem!
Obrigado,
Rodrigo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Por Você'


Aqui onde a verdade me encara os olhos. É difícil te ver. O doce vento da decepção sopra em meu rosto, dissipando qualquer fagulha de ilusão que seu olhar insiste alimentar em meu ser.

Agora percebo o que acontecera, e visualizo todo o tempo perdido. O arrependimento que tanto esperei para consolar qualquer ferida ainda não surgiu no horizonte. Eu já não choro mais por ti, também pudera.

Há tempos você se foi e isso marcou inconfundivelmente minha alma. A falsidade de suas promessas queima como chamas deformam um punhado de folhas secas, se regorjeando em forma de um bailar infernal.

A realidade preenche cada centímetro desse lugar e consome qualquer esperança que eu tenho em ter você finalmente em meus braços.

O que não foi mais que um sonho, hoje é um objetivo cada vez mais distante, inalcançável como você sempre fora.

Foi na frieza de seus braços que eu me entreguei sem pensar, foi pela falsa imensidão de seus olhos que tracei caminhos inatingíveis. Sim, foi por você!

Minhas noites que até então não conhecia a dissimulada luz de seu sorriso, hoje procuram a verdadeira claridade.

Eu prometi e assim será feito! Você, insubstituível que é, será permanente em minha consciência, me impedindo de falhar novamente, de cair.

Você me fortaleceu com sua fraqueza e por isso hoje caminho. Por entender que de nós, você foi o verdadeiro elo fraco da corrente que não conseguiu sustentar nada mais que falsas pretensões, eu estou de pé.

E assim será. Sempre! Eu e você. Duas paralelas que de fato não se cruzaram, dois destinos opostos, dois corações em diferentes freqüências. Duas mentes desconectadas em meio á multidão em que nos projetamos.

Aos poucos saio desse quarto em que você me aprisionou, e com minhas próprias pernas decido meus passos, que antes direcionados pelas suas melosas palavras que me envolvia e me tragava a solidão. Andavam desnorteados.

Dia após dias, minhas lagrimas deixavam meus olhos e se repousavam em meu travesseiro, lutando intensamente contra a escuridão de um eclipse e eu venci! Por você eu me livrei de qualquer corrente e sigo em frente. Por você hoje estou onde estou, e principalmente, por você eu não erro mais!

'Espero que gostem!

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Obrigado,

Rodrigo.