De pés descalços e camiseta esfarrapada, eu podia vê-lo através do vidro blindado de meu carro importado.
Com uma camada visível de sujeira sobre a pele frágil, ele brincava com o três bastões no ar em minha frente, em troca de algumas moedas, que se muito, talvez lhe trouxesse algum alimento para o estomago faminto.
O sorriso quebradiço em seu rosto mostrava uma delicada felicidade infantil destruída dia após dia naquele sinal de avenida.
Os bastões que eram lançados habilidosamente no ar demonstravam o quão leve a alma dele poderia ficar, caso um sorriso caloroso o envolvesse em um abraço terno.
Seus olhos negros, impossíveis de se esquecer, fitavam minha face impaciente enquanto aguardava o movimento da avenida voltar a circular.
Com um toque receoso na minha janela, aquela criança me implorava por atenção, alem dos trocados que suas mãos esticadas, esperava.
-Por favor... – sua voz tremula soou baixa antes de eu arrancar com o carro avenida a fora.
Muito obrigado,
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Rodrigo.
