Não me levantaria hoje da cama se não fosse pela prova final de Física que me encontro em uma situação precária de notas, não era de todo um mau aluno, mas meus pensamentos insistiam em não estarem de acordo com as leis da física e não me permitia entender qualquer outra formula que me facilitasse a vida caso a vontade de permanecer na cama me forçasse a fingir uma desculpa qualquer para faltar a aula e perder a prova.Me coloquei de pé num salto e logo minha mente rodou em volta de meu corpo por não esperar o movimento brusco. Algo, além da tontura me incomodava, uma nova sensação, uma sensação de estabilidade agonizante. Isso me fazia querer me acostumar com aquele sentimento de que o dia seria igualmente entediante como o anterior, mas ainda não me conformava com o comportamento que meu peito assumira de não permitir mais que a nevoa de tristeza e melancolia dominasse meus sentidos como fizera nos últimos meses, levando meu humor para um passeio masoquista de montanha-russa me deixando agora com um vazio alarmante no meio do peito. Era assustador imaginar que meu coração apenas pulsava por ter que levar sangue ao resto do corpo e não por encontrar um olhar que me confortasse, ou encontrar lábios ansiosos pelos meus e até mesmo sentir um outro coração bater em meu abraço. Um desperdício de função diria.
A saudade de um passado próximo já era controlada, aquilo não me pertencia mais, tinha conseguido trancar-la em algum lugar da memória e que se confundia com a imaginação da onde não deveria ter saído, porem não era isso que tomava minhas noites de sono, agora o que me roubava qualquer esperança de um dia pelo menos alegre era o futuro. Desviando sabiamente o rumo que esses pensamentos novamente me levaria enquanto pegava meu caminho para a escola tentei me concentrar na prova que me esperava no campo de batalha que já podia avistar logo ali, na frente.
As minhas estratégias com o inimigo não duraram por muito tempo, faria o meu melhor e ponto. Se não fosse suficiente para domar a física de uma maneira absurdamente simplificada e básica para entrar em uma faculdade razoável, teria mais certeza que deveria desistir de tudo, mas que de qualquer coisa e virar um musico talentoso, não que meus talentos tivessem a altura de qualquer forma de coordenação motora, mas talvez para isso me esforçasse de verdade.
Logo o inimigo me encarava nos olhos e eu já suava frio, eu tinha que me concentrar, eu tinha que lembrar daquela maldita formula que o professor explicará no dia em que eu me distrai enquanto classificava o nível da dor que me afligia naquele dia. Finalmente uma luz brilhou no fundo de minha mente e eu consegui montar um esquema sobre velocidade, tempo, distancia e qualquer outra grandeza que conseguia me empurrar ainda mais pra baixo no abismo que estive caindo nas ultimas semanas, faltando poucos minutos para acabar o tempo, entreguei minha prova e corri desesperadamente para fora da sala antes que fosse acorrentado e forçado a fazer qualquer outra avaliação repugnante. Com sucesso escapei.
Nunca fui um ícone de popularidade em toda minha vida escolar e isso me proporcionava momentos de reflexões internas que mesmo meus poucos amigos mesmo me apoiando, nunca conseguiria entender, não que eu fosse algum superdotado mentalmente ou candidato à próximo mártir do século, mas tinha pensamentos e sentimentos incrivelmente inadequados para minha vida atual.
E foi num desses momentos totalmente a parte da realidade que me rodeava, que pensei no quanto que eu sentia a falta de perceber meu sangue queimar e correr acelerado nas minhas veias por estar perdidamente apaixonado, ou correr triste e friamente por estar terrivelmente rejeitado. Isso me forçou a chegar a uma conclusão menos prazerosa do que o conceito que iniciei minha meditação, que eu apenas seguia, seguia puramente e insignificantemente vazio, não como um jarro sem água ou como um prato sem alimento, mas como um imenso quarto branco. Pleno, refletindo qualquer emoção que não me causasse transtorno, harmônico e... vazio.
Basicamente era dessa forma que me sentia, um quarto branco vazio que não se era permitido permanecer nada alem do vácuo dentro. Meu coração agora não se exaltava por nada ou ninguém, ele apenas batia, batia e pulsava o sangue necessário para minha sobrevivência e isso me dilacerava, mas o quarto continuava ali, intacto e inabitável.
E será assim que seguirei até que, por sorte, encontre alguém que porte a chave correta para adentrar em meu quarto branco inatingível e assim dar novamente algum sentido a esse ‘tum-tum’ que pulsa em meu ser.
'Espero que gostem!
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Obrigado,
Rodrigo.
Oi...td bem??
ResponderExcluirVisita o meu blog, se gostar, comente e fique acompanhando. Será um enorme prazer ter vc por aqui.
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